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Avanço lento da produção industrial reforça o ritmo fraco da economia
03/04/2019
Desempenho decepcionante da manufatura nos dois primeiros meses do ano e ausência de sinais de recuperação robusta indicam que o crescimento do País será menor do que o esperado

Com a demanda interna fraca e o cenário internacional instável, a produção industrial continua patinando no País, o que reforça a percepção de que o crescimento econômico do Brasil deverá ficar abaixo do esperado em 2019.

“Com a alta taxa de desemprego impedindo a recuperação da demanda interna e o cenário ruim para exportações, não há como esperar um desempenho pujante neste ano”, avalia o professor de macroeconomia do Ibmec-SP, André Diz. Ele destaca a crise da Argentina e a desaceleração das principais economias do mundo como fatores negativos para os embarques do Brasil.

Já no ambiente interno, a turbulência política torna o avanço da reforma da Previdência menos célere que o projetado pelo mercado. “Havia uma expectativa de que, com a mudança de governo, as reformas sairiam mais rapidamente. Quando os agentes do mercado olham a negociação com o Congresso travada, vem o entendimento de que o projeto não vai passar da mesma maneira que foi elaborada pelo Ministério da Economia”, aponta Diz.

Nesta terça-feira (02), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa industrial mensal referente à produção física do mês de fevereiro. O levantamento mostrou crescimento de 2% sobre o mesmo mês do ano passado, mas queda de 0,2% no acumulado dos dois primeiros meses do ano.

Para o economista da Pezco, Yan Cattani, esse crescimento anual apenas reflete uma base fraca. “Em 2018, o Carnaval foi em fevereiro e houve um número menor de dias úteis. Ocorreu uma elevação na margem, mas nada sustentável no longo prazo”, esclarece.

O maior crescimento foi registrado na categoria de bens de consumo duráveis, puxado pelo desempenho do setor automotivo. “A indústria não pode depender de apenas um setor. Outros crescem, mas ainda em ritmo de recuperação, alguns nem repondo a depreciação”, destaca Cattanni.

Na análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o setor industrial está estagnado. “O crescimento obtido em fevereiro foi suficiente apenas para compensar o retrocesso de janeiro. Ou seja, andamos em círculo em torno de um ponto de baixíssimo dinamismo atingido após um trimestre recessivo como foi o de outubro a dezembro do ano passado.”

No relatório, o Iedi fala de uma fase de estabilização, mas não descarta a hipótese de que a produção de fevereiro apenas reagiu a uma necessidade de recomposição de estoques. “De um modo ou de outro, o que não dá para afirmar com certeza é que vemos um retorno do crescimento industrial.”

O pior desempenho foi registrado na categoria de bens de intermediário, com queda de 0,9% no acumulado de 2019, resultado da tragédia de Brumadinho (MG). “A paralisação de algumas atividades da Vale teve efeitos em fevereiro, mas o desempenho da indústria extrativista já era fraco em janeiro. Seria menos pior sem esse impacto, mas não o suficiente para reverter o cenário” assinala o docente do Ibmec.

Revisão

Nos últimos dias, consultorias e instituições financeiras revisaram para baixo a previsão de crescimento do PIB do Brasil. Na segunda-feira (01), o relatório Focus, do Banco Central, projetou avanço de 1,98% para 2019. Em janeiro, a estimativa era de alta de 2,53%. “A indústria tem bastante influência nesse desempenho e um avanço de cerca de 2,5% é mais otimista do que realista dado o ritmo atual”, diz Cattani.

Ele acredita que há espaço para o PIB crescer acima de 2%, caso a agenda econômica do governo avance no Congresso. “Alguma medida deve passar e atrair investimentos.”

Para Diz, a queda de cerca de 0,5 ponto da estimativa de PIB em apenas dois meses é alarmante. “O PIB iria crescer 2,5% sobre bases baixíssimas, após um crescimento fraco nos últimos dois anos. É uma desaceleração muito forte.”

Ele entende que, mesmo que a reforma da Previdência seja aprovada, a tendência é de um crescimento menor. “Não deve ser a reforma desejada pelo ministro da Economia [Paulo Guedes]. Ainda que melhore a confiança e traga investimentos externos, o impacto real vai demorar.”
 
Fonte: DCI

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