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  Emaranhado de fios some muito devagar  
  30/10/2017  
O emaranhado de fios de eletricidade, cabos de telecomunicações e postes vem desaparecendo bem devagar do céu das grandes cidades. No Brasil, onde o enterramento de redes começou nos anos de 1940, o Rio de Janeiro tem apenas 11% dos fios debaixo da terra; São Paulo tem 7% e Belo Horizonte, 2%.

O processo de colocar os fios em redes subterrâneas - e deixar as cidades mais bonitas - começou pelos Estados Unidos, nas décadas de 1920 e 30. Hoje, 72% da rede de distribuição é subterrânea em Nova York. Em Amsterdã, Bruxelas e Londres, 100% já foi enterrada, embora o processo tenha começado mais tarde na Europa, nos anos 60 e 70. Em Tóquio, a taxa é de 46%.

As informações constam de um projeto de pesquisa e desenvolvimento da Eletropaulo, que mostra o Brasil com uma taxa reduzida de enterramento de redes, apesar de ter iniciado o processo na década de 40, com a Light.

Agora, a Eletropaulo e 25 operadoras de telecomunicações que têm redes no centro de São Paulo vão desembolsar no mínimo R$ 300 milhões num projeto que já está em implantação e segue em execução até 2019. As empresas firmaram acordo com a Prefeitura de São Paulo para tentar melhorar o cenário em parte da cidade.

A estimativa do custo é da prefeitura. Mas o valor poderá dobrar, diz João Moura, presidente da TelComp, que representa as prestadoras de serviços de telecomunicações. A entidade foi encarregada de consolidar o projeto do ponto de vista da engenharia e do uso do espaço - onde colocar as caixas de acesso nas ruas para manutenção, por exemplo.

Pelo histórico, Moura diz que a Telefônica é a companhia que possui a maior rede. Está em todas as ruas e oferece múltiplos serviços, tem fibra óptica até o domicílio (FTTH), cobre, TV paga, rede de transporte. Mas outras empresas também têm redes importantes, como Embratel / Claro / Net, America Net, Algar, Level 3, entre outras.

As operadoras de telefonia, internet e TV paga vão enterrar 65,2 km de fiação aérea. Depois, a Eletropaulo terá de remover os 2.019 postes de 130 ruas do centro, da Vila Olímpia e do Mercado Municipal de São Paulo até 2019. A prefeitura não pagará nada, enquanto a Eletropaulo arcará com cerca de R$ 70 milhões para a remoção, disse Marcos Penido, secretário de Serviços e Obras da Prefeitura de São Paulo.

A relação de custos entre as redes subterrâneas e as aéreas pode variar de 3 a 17 vezes, de acordo com estudos citados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O custo das obras depende da característica da rede e do tipo de enterramento, principalmente devido às obras civis, mas a média é de R$ 2,5 milhões por km.

Por isso, não foi fácil convencer as operadoras a aderirem ao projeto. "Está decidido que elas vão fazer [o enterramento]. Mas, depois disso, o que temos conversado com todas as prefeituras é que é preciso fazer uma avaliação criteriosa de regiões e áreas para as obras. As prefeituras devem perceber que os recursos das empresas são finitos e poderiam ser colocados em outros atendimentos", disse Eduardo Levy, presidente do SindiTelebrasil, que representa as operadoras.

"Não dá para fazer enterramento em todo o Brasil, consumiria centenas de bilhões de reais para um setor que investe R$ 25 bilhões por ano", disse Levy. "Não é recomendável, nem faz sentido técnico em nenhum lugar do mundo enterrar só para tirar os postes." Segundo Levy, as empresas entenderam que há muitos cabos nas ruas de São Paulo e que o projeto em questão é exequível.

"Se quiser ter banda larga, as redes aéreas são insubstituíveis, não dá para enterrar tudo. As redes subterrâneas custam muito mais que as aéreas, inclusive para as companhias elétricas", diz Moura, da TelComp. O enterramento indistinto manteria muitos quilômetros que não são viáveis economicamente, diz ele.

Na primeira reunião houve muita animosidade, depois começou a haver algum entendimento até chegar à credibilidade, disse o secretário municipal, ao falar das discussões com a Eletropaulo e as operadoras. Mas a prefeitura também não deixou muitas opções às empresas. "A partir do momento que retiramos os postes, não há mais onde pendurar os fios, tem que enterrar. Além disso, elas [operadoras] têm ganhos, não há roubo [de fios de cobre], não tem problema de raio e chuva", disse.

Segundo Penido, o fato de o projeto incluir toda a cadeia de valor facilitou as negociações, pois a mesma vala e os custos são compartilhados pelas empresas. Ninguém quis ficar para trás. Ele afirma que a prefeitura não impôs nada, só pediu propostas alternativas que já tivessem sido implantadas em algum lugar do mundo. A contribuição das empresas foi bem "pé no chão", afirmou. Hoje, cada uma vai lançar seu próprio duto na vala, mas o secretário disse acreditar que no futuro elas aceitarão compartilhar o duto.

As regiões escolhidas para enterramento dos fios são consideradas complexas e densas, do ponto de vista residencial e comercial. O projeto foi dividido em 12 regiões menores e, em cada uma, as empresas farão um plano individual.

As empresas aproveitam para redimensionar seu crescimento e renovar a infraestrutura, pois as redes aéreas têm muitos cabos antigos e o espaço nos postes é limitado. Podem trocar três ou quatro cabos aéreos por um só subterrâneo de maior capacidade; substituir os metálicos por fibra. "É uma obra conjunta, mas sob medida para cada empresa", diz Moura, da TelComp.

Moura disse que apesar de o projeto ter sido dimensionado para 65,2 km, as redes precisarão ser construídas nos dois lados das vias, o que de imediato dobra a extensão. Cada empresa vai assinar um contrato equivalente e padronizado com as mesmas construtoras - serão contratadas neste ano. Algumas etapas dos projetos de engenharia estão com a Integer e Plangecon, mas poderão ser contratadas mais empresas em outros trechos, disse Moura.

Procurada pela reportagem, a Eletropaulo não respondeu ao pedido de entrevista.
  Fonte: Valor Econômico (www.valoronline.com.br)  
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