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14/01/2020
Fabricantes de materiais preveem crescimento de 4%
Demanda será puxada, em 2020, por varejo e edificações; procura maior será por itens de base

A expectativa de continuidade da demanda de materiais de construção pelo varejo para atender o consumo das famílias, e do aumento da procura de produtos para edificações residenciais e comerciais, principalmente na cidade de São Paulo, e, a partir do segundo semestre, também para obras de infraestrutura levaram a Associação Brasileira de Industrias de Materiais de Construção (Abramat) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) a esperar que o faturamento consolidado dos fabricantes tenha crescimento real de 4%, neste ano, o dobro dos 2% de 2019.

Um mês atrás, a estimativa preliminar era que a expansão em 2020 seria de 2,5%. "O otimismo moderado está mais evidente", disse ao Valor o presidente da Abramat, Rodrigo Navarro. Segundo o representante setorial, o crescimento "exponencial" esperado reflete as projeções da FGV de aumento de 4,5% das vendas do varejo da construção e de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor, além de taxa de juros em declínio, inflação sob controle, liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), novas modalidades de financiamento imobiliário e expectativa de aprovação do marco regulatório do saneamento.

Empresas que fazem retrofit (reformas) de imóveis representam mais mercado para as fabricantes de materiais. O presidente da Abramat cita o exemplo da Loft, empresa que compra apartamentos para reforma e revenda. No segmento de imóveis comerciais, há expectativa de mais retrofits de prédios de padrão B, neste ano, na cidade de São Paulo, devido à escassez de áreas de alto padrão nas regiões "premium", o que contribui para o incremento da demanda.

"Teremos um 2020 mais aquecido do que 2019, que foi melhor do que 2018", diz Navarro. O crescimento será puxado, principalmente, pela comercialização de materiais de base.

Em 2018, o faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção interrompeu a sequência de três quedas reais, com alta de 1%, chegando a R$ 184,06 bilhões. O faturamento do setor tinha caído 7,2%, em 2015, 13,5%, em 2016, e 3,1 % em 2017. "Mesmo com crescimento em 2018, 2019 e projeção para 2020, ainda estamos distantes dos patamares de 2010 e 2011", afirma o presidente da Abramat.

Navarro ressalta que o desemprego "ainda está muito alto, mas tem caído". "Mas um dos caminhos para a geração de muito emprego é, justamente, o setor de construção civil", afirma.

No setor de cimento, as vendas cresceram 3,5%, em 2019, na comparação anual, para 54,5 milhões de toneladas, o que representou interrupção de quatro quedas consecutivas. Para este ano, o Sindicato Nacional da Industria do Cimento (SNIC) espera expansão semelhante, considerando que a demanda pelo insumo continuará a ser puxada por edificações residenciais, que empreendimentos comerciais e industriais ganharão participação e que infraestrutura começará a apresentar recuperação.
 
Fonte: Valor Econômico

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