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24/08/2020
Falta de PVC atinge os fabricantes de plásticos
Ausência de investimentos em novas fábricas na última década, pandemia de covid-19, menor oferta local e reaquecimento da economia tendem a agravar desabastecimento

A escassez de PVC no mundo atingiu a indústria de plásticos no Brasil e, hoje, falta resina no mercado doméstico, sobretudo para os transformadores que dependem do material importado. Um conjunto de fatores, que inclui ausência de investimentos em novas fábricas na última década, pandemia de covid-19 e reaquecimento da economia, combinado à menor oferta nacional, tende a agravar o desabastecimento, que afeta transformadores de todos os tamanhos.

“As empresas estão retomando as operações, que foram afetadas pela pandemia, e não têm resina”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho. Conforme os transformadores, o forte aumento dos preços das resinas em geral também preocupa o setor - somente no PVC, a alta supera 30% em poucos meses.

O cenário é mais complicado no país porque a Braskem, maior fornecedora local, estaria com oferta reduzida, segundo transformadores. A petroquímica diz que tem atendido normalmente os clientes, embora a demanda esteja acima do normal.

No segundo trimestre, a produção de PVC da Braskem foi limitada pelo cenário econômico e pela extensão da parada programada em uma das linhas de produção na Bahia, em abril. No período, a taxa média de utilização de PVC ficou em apenas 52%, queda de 13 pontos percentuais ante o trimestre anterior. A petroquímica encerrou a mineração de sal-gema em Alagoas em 2019 devido aos problemas geológicos na região em que operava, e passou a importar tanto o sal quanto parte do EDC que utiliza na fabricação da resina.

A Corr Plastik, que está entre as maiores fabricantes locais de tubos e conexões de PVC, anunciou aumento de preços da ordem de 20% a partir de 1º de setembro e informou que os riscos de parada por falta do insumo são “cada vez mais iminentes”. “O ambiente para compra de PVC está se tranformando em algo cada vez mais imprevisível e oneroso. Hoje, não existe disponibilidade no mundo deste produto e os preços não param de subir fortemente”, disse, em comunicado sobre o reajuste, ao qual o Valor teve acesso.

Uma das maiores empresas de tubos e conexões de PVC do mundo, a Wavin chegou a suspender, por algumas horas na quinta-feira, as vendas de toda a linha de produtos da marca Amanco Wavin no país até que fosse definida nova tabela de preços. Em nota, a Wavin no Brasil informou que “segue operando com plena capacidade e está adequadamente abastecida de resina para atender aos clientes atuais e novos”.

“O atendimento comercial da Amanco Wavin foi suspenso apenas por algumas horas para atualização da política cambial e foi retomado no mesmo dia”, afirmou.

Já a Krona Tubos e Conexões adotou novas regras diante do cenário de aumento de preços e oferta escassa de resina e limitou o atendimento dos pedidos à media de compra de cada cliente entre janeiro e julho, com limitação máxima de 30% de tubos. A medida é justificada, conforme circular vista pelo Valor, pelo aumento de mais de 35% nos preços do PVC, “com possibilidade de novos reajustes e rupturas de abastecimento”.

O desequilíbrio entre oferta e demanda global de PVC foi agravado recentemente pela paralisação de uma fábrica de 400 mil toneladas por ano da Formosa Plastics nos Estados Unidos e uma abrupta elevação das importações chinesas da resina, como resultado dos estímulos à construção de novas residências, drenando o PVC disponível no mercado internacional. Somente em julho, a China importou 180 mil toneladas da resina, o triplo do volume histórico.

Isabel Figueiredo, vice-presidente da unidade de Vinílicos e Especialidades da Braskem, diz que até 2015, havia sobreoferta de cloro, soda e PVC no mercado mundial, o que desestimulou investimentos em mais capacidade. Novos projetos na China no início dos anos 2000, à base de carvão, contribuíram para o excedente. “Agora, o que se vê é que são necessárias novas fábricas, mas só em 2021 esses projetos devem começar a entrar em operação”, explica. Braskem e Unipar Indupa são as únicas produtoras no país, que importa até um terço do PVC que consome.

Na Braskem, segundo Isabel, as fábricas de PVC estão operando a plena capacidade e seus clientes estão sendo atendidos normalmente, mas os pedidos têm sido superiores à média usual. O retorno mais forte do que o previsto da construção civil, passado o auge da pandemia, ajuda a explicar a demanda superaquecida, que deve se sustentar até o fim do ano.

Os transformadores também relatam dificuldades para encontrar determinados tipos (“grades”) de polipropileno (PP) no mercado local. Importante produtora da resina, a Formosa também teve problemas em uma fábrica no Texas e declarou força maior em contratos no dia 8, o que poderia explicar uma parte do problema.

Consumidores de resinas com dificuldades de importar têm procurado cada vez mais os distribuidores independentes, mas não necessariamente encontram uma solução. Na paulista Activas, do empresário Laércio Gonçalves, 1,6 mil clientes foram atendidos em julho. Destes, 300 corresponderam a contas reativadas e 100 a novas contas. “A Activas está atendendo à carteira cativa, mas a demanda está maior por causa da falta de produto importado e do reaquecimento econômico”, informa.

A indústria de plásticos também se queixa do forte aumento dos preços, não apenas do PVC mas do polietileno (PE) e do PP, em um momento de recomposição dos negócios após o auge da covid-19. Em julho, os aumentos foram superiores a 10%. Houve nova rodada de reajuste em agosto e há expectativa de mais em setembro.

A Braskem informou que sua política de preços segue as cotações internacionais e o câmbio. “Em função da situação atual, com o impacto da pandemia, a empresa vem praticando reajustes abaixo da paridade com os preços internacionais. Contudo, absorve em seus custos a totalidade da variação cambial”, disse em nota, acrescentando que criou uma nova linha de crédito especial a custo competitivo e aceitou diversos pedidos de postergação de pagamentos durante a pandemia.
 
Fonte: Valor Econômico

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