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04/09/2020
Material de construção vê tendência favorável com auxílio de R$ 300
Setor já trabalha com vendas acima do nível de antes da chegada da pandemia

A redução do auxílio emergencial pela metade, para R$ 300 mensais até o fim do ano, terá impacto nas vendas de material de construção, mas não reverte a tendência positiva do segundo semestre. É o que avaliam participantes da indústria de material de construção ouvidos pelo Valor. Há entendimento também de que a manutenção do benefício, ainda que menor, atenua o efeito sobre a comercialização.

"Continuamos vendo o segundo semestre com bons olhos. A tendência é que as vendas de material se estabilizem em patamar superior ao do pré-pandemia", afirma o presidente da Eternit, Luís Augusto Barbosa.

Da segunda quinzena de março à primeira quinzena de maio, a Eternit sentiu queda na demanda devido à pandemia de covid-19. Os patamares normais de produção foram retomados a partir da segunda metade de maio. Atualmente, a fabricante de telhas de fibrocimento e de concreto opera perto de 100% de sua capacidade instalada.

Além do auxílio de R$ 600, ressalta o presidente da Eternit, contribuiu para o aumento da participação dos gastos com construção no bolso do consumidor, nos últimos meses, a liberação de recursos que, antes da pandemia, eram gastos com entretenimento e viagens. "À medida que o auxílio diminui e que outras atividades reabrem, tende a sobrar menos dinheiro para a construção, mas está havendo mudanças no comportamento do consumidor, que passa mais tempo em casa", diz Barbosa.

A Lorenzetti - fabricante de duchas, chuveiros elétricos, metais sanitários e purificadores de água - está vivendo seu melhor ano, com crescimento de 16% até agosto. O patamar supera a projeção inicial de expansão de 10% ante o faturamento de R$ 1,5 bilhão de 2019. O auxílio emergencial foi uma das razões para o desempenho acima do esperado, assim como a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o fato de parte da população estar trabalhando de casa.

Segundo o vice-presidente da Lorenzetti, Eduardo Coli, a concessão do auxílio de R$ 300 por quatro meses vai contribuir para manter o mercado aquecido. "Ninguém esperava a continuidade de R$ 600 mensais até o fim do ano. Os R$ 300 vão gerar um consumo muito grande", diz Coli. A Lorenzetti está operando a plena capacidade e espera manter o crescimento de 16% no acumulado deste ano.

O presidente do Grupo Tigre, Otto von Sothen, avalia que há pouca relação do benefício com as vendas do setor. "O impacto do auxílio emergencial se dá, predominantemente, em bens de consumo não duráveis: alimentos, bebidas, limpeza e higiene. Enxergamos muito pouca relação com material de construção", disse Sothen, em nota.

O diretor Administrativo da SIL Fios e Cabos Elétricos, Marcelo Barone, considera que haverá queda nas vendas em decorrência da redução do auxílio emergencial, mas que ainda não é possível mensurar o tamanho do impacto.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais de Construção (Abramat), Rodrigo Navarro, haverá impacto da redução do benefício, mas não suficiente para "desviar o setor do desempenho que vem tendo". Navarro cita, entre os fatores que contribuem para o aumento da demanda por material, os juros baixos, que estimulam a aquisição de imóveis, e o novo marco regulatório do saneamento. "O setor de construção é um dos grandes vetores para a retomada da economia", afirma o presidente da Abramat.

Em outubro, a Fundação Getulio Vargas (FGV) vai revisar a expectativa do faturamento da indústria de material de construção. Por enquanto, está mantida a projeção de queda real de 7%, mas Navarro avalia que a retração será menor.
 
Fonte: Valor Econômico

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