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13/10/2020
Após nova revisão, setor de materiais já admite crescimento
Reaquecimento da demanda leva Abramat e FGV a projetar queda de 2,8%, neste ano, ante a estimativa anterior, de encolhimento de 7%
A indústria de materiais de construção vem revisando o desempenho negativo deste ano, causado pela pandemia de covid-19, e até já admite que pode encerrar 2020 em estabilidade ou ligeiro crescimento. Conforme a última projeção, passada ao Valor, o faturamento cairá menos do que era esperado com base nas incertezas da crise que se tinha em meados do ano. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), aponta retração de 2,8% no valor real, ante a estimativa anterior, de encolhimento de 7%. Até setembro, houve redução de 5,6%.

Para o presidente da Abramat, Rodrigo Navarro, o desempenho do setor pode ser melhor do que o indicado pela previsão atual caso as indústrias consigam atender à demanda. Ele avalia que, a depender da capacidade dos fabricantes de suprir os clientes, a o faturamento pode cair ainda menos - ou ficar estável e, até mesmo, registrar pequeno crescimento ante 2019. "Há dificuldades no atendimento à demanda por alguns segmentos da indústria", afirma o dirigente.

A Duratex é uma das empresas que sentiu, fortemente, os efeitos das movimentações de demanda. No fim de março e em abril, todas as suas fábricas foram paralisadas. Mas o reaquecimento repentino dos pedidos dos setores de construção e moveleiro levaram a companhia a operar à plena capacidade e a bater recordes de produção.

Outras fabricantes de materiais também interromperam, totalmente ou parcialmente, a produção devido à queda inicial dos pedidos no início da pandemia. "Com a retomada, foram necessários ajustes do maquinário e das negociações com fornecedores", diz o presidente da Abramat.

No começo da pandemia, o varejo do segmento ficou com as portas fechadas, até que houvesse a classificação de materiais de construção como atividade essencial. A reabertura das lojas combinada com o auxílio emergencial concedido pelo governo resultaram em aumento das compras de produtos de construção, principalmente, para reformas.

Em entrevista recente ao Valor, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna, disse que houve "uma explosão da demanda por cimento" no terceiro trimestre. Em setembro, as vendas físicas do insumo cresceram 21,4% e, em nove meses, aumentaram 9,4%, em decorrência da demanda para a autoconstrução e para as obras imobiliárias. O SNIC já espera que o setor possa crescer mais, no ano, do que os 3% estimados antes da pandemia.

Já o consumo de aço longo deve ser semelhante ao de 2019, segundo o Instituto Aço Brasil. A construção responde por 37,6% do consumo total de aço no país.

Até setembro, a Vedacit - fabricante de impermeabilizantes, mantas asfálticas, protetores de superfície, selantes, aditivos para concreto e argamassas - registrou alta de 4% no seu faturamento. Para o acumulado do ano, a empresa projeta faturamento 5% maior que o de 2019. A Vedacit começou 2020 com expectativa de expansão de 15%, mas chegou a projetar, no início da pandemia, queda de 4% em um cenário pessimista.

De janeiro a setembro, o faturamento da Lorenzetti - fabricante de duchas, chuveiros elétricos, metais sanitários e purificadores de água - cresceu 22% na comparação anual. É esperada alta de 15% ou 16% em 2020.

No mês passado, o faturamento da indústria de materiais de construção teve expansão de 3,8%, na comparação anual, segundo a Abramat e a FGV. Foi a terceira alta consecutiva. No trimestre, a média mensal de crescimento do setor foi de 3,5%.

O levantamento da FGV tem como base a produção física de 21 segmentos da indústria de materiais divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Alguns segmentos conseguirão números positivos neste ano", afirma Navarro. Nos 12 meses encerrados em setembro, apenas três - entre eles, o de cimento - tinham elevado a produção. A maior redução, de acordo com os dados do IBGE, foi do volume produzido do segmento de vidro e produtos de vidro.

Quando o ano começou, Abramat e FGV projetavam expansão de 4% no faturamento deflacionado do setor, que se seguiria ao 1,7% de crescimento, em 2019, e bem acima ao 1% registrado em 2018, após três anos de retração. Não havia razão para não se esperar continuidade de alta, diante do ritmo de vendas para o varejo e do aquecimento do lançamentos de imóveis. Mas, com a pandemia de covid-19, preciso rever a estimativa.

Para 2021, a expectativa de Navarro hoje é de desempenho superior ao deste ano, considerando-se a continuidade da demanda do varejo, aumento dos lançamentos de imóveis, o programa habitacional Casa Verde Amarela - que substituiu o Minha Casa, Minha Vida -, a perspectiva de retomada das obras de infraestrutura e a aprovação do marco regulatório do saneamento. "Ninguém tem dúvidas de que a construção civil e o agronegócio serão os dois pilares para a retomada da economia", afirma.
 
Fonte: Valor Econômico

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